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A Influência da Cultura da Convergência

02 jan - Por Francílio Dourado Filho - Sem categoria

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A Influência da Cultura da Convergência nos Processos Empresariais do Século XXI

Francílio Dourado Filho*

Vivemos um momento em que o conhecimento flui facilmente através de diferentes plataformas midiáticas, um momento onde o fazer é tão importante quanto o usar, onde o poder do produtor e o poder do consumidor interagem de maneiras imprevisíveis.

Quem soube traduzir com maestria este momento foi Henry Jenkins, em “Cultura da Convergência”. Na obra, o professor de Ciências Humanas do MIT, analisa as grandes mudanças em curso no mundo dos negócios com o advento das multiplicações de conteúdos. Sua leitura merece o olhar atento de todos que se pretendem presentes no amanhã próximo.

Seguindo Pierre Levy, quando afirma que “nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe alguma coisa; e podemos juntar as peças, se associarmos nossos recursos e unirmos nossas habilidades”, este artigo toma a liberdade de fazer uma com-pilação de exposições em diferentes mídias, uma remixagem de Jenkins, na tentativa de entender a influência cultura da convergência nos processos empresariais do século XXI.

O Conceito

O conceito de convergência faz referência ao fluxo de conteúdos através de múltiplos suportes midiáticos, à cooperação entre os diferentes mercados e ao comportamento migratório dos consumidores, que vão a qualquer parte em busca das experiências que desejam. Procura definir mudanças tecnológicas, industriais, mercadológicas, culturais e sociais provocadas pelo modo como as mídias circulam. Reflete a mudança na maneira de encararmos nossas relações com as mídias, as tecnologias, os poderes, as pessoas.

Se no ambiente tecnológico a convergência pode ser entendida como a combinação de diferentes funções dentro de um mesmo equipamento, permitindo supor a existência de um aparelho mágico agrupando todas as mídias, como processo cultural, refere-se ao fluxo de imagens, ideias, histórias, sons, marcas e relacionamentos, através do maior número de canais midiáticos possíveis, um fluxo condicionado por decisões originadas tanto em reuniões empresariais quanto em quartos de adolescentes, moldado pelo desejo de corporações de promoverem ao máximo suas marcas e mensagens e pelo desejo dos consumidores de obterem o que quiserem, quando, onde e como quiserem.

Conhecimento

Numa sociedade de caçadores as crianças aprendiam brincando com o arco e a flecha. Na sociedade do conhecimento elas aprendem jogando com informações. Ainda não sabemos usar plenamente as ferramentas da convergência para construir conhecimento, mas estamos desenvolvendo habilidades que serão úteis muito em breve.

Mas convém destacar que acessar jogos, comunidades virtuais, sites de relacionamento, criar blogs ou modificar e remixar mídias, possibilita um processo de aprendizado que salienta nossa atividade em rede, ajuda na formação coletiva de conhecimento e na circulação de idéias através da sociedade. Todos estão aprendendo ao buscar entretenimento por meio da internet. Um membro da comunidade virtual tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.

Esta, aliás, é a raiz de uma sociedade em rede. Por exemplo, em grupos de discussão, uma pergunta aparece, alguém logo a responde, e todos têm acesso à informação. A propósito, as escolas deveriam repensar seu modo de ensinar. Em vez de preparar as crianças para o aprendizado autônomo, deveriam ensiná-las a como participar da produção coletiva do conhecimento, como compartilhar conhecimento, como depender da experiência alheia e fazer com que percebam o poder que têm por serem autoridades em algum assunto.

Informação

No século XV, era do renascimento, um indivíduo podia dominar todos os campos do conhecimento. Michelangelo e Leonardo Da Vinci foram capazes de absorver e utilizar boa parte do saber disponível na sociedade de sua época.

Com a explosão de informações de hoje, vivemos um tempo de inteligência coletiva, num mundo onde ninguém sabe tudo, mas todos sabem alguma coisa. Um membro da comunidade tem ao seu dispor o mesmo saber que a comunidade como um todo, imediatamente, a todo instante.

Mas sofremos na medida em que não sabemos lidar com o excesso de informação. Sentimos-nos inaptos pela incapacidade de absorver tudo, a tempo. E isto ocorre por estarmos tentando aplicar uma lógica do homem renascentista a um modelo desenvolvido para o ser coletivo e colaborativo.

Em vez de querer absorver todo o conhecimento disponível, deveríamos aprender a confiar na comunidade, confiar uns nos outros para processar as informações. Mais que cidadãos bem informados, precisamos ser cidadãos antenados. Alguém que vasculha o horizonte e filtra informações necessárias, agindo de forma pontual e objetiva, em contraste com a necessidade do entendimento profundo sobre tudo que nos rodeia.

Devemos aprender a ser seletivos e colaborativos.

No ambiente corporativo precisamos aprender a ter foco. Utilizar modelos que possibilitem uma espécie de moderação coletiva, que identifiquem as preferências dos usuários e filtrem as informações; ou processos deliberados como grupos de discussão. Precisamos aprender como participar plenamente ou seremos soterrados por informações sem sentido.

Remix

Na história humana, a cultura advém da cultura. Às vezes, seguimos uma lógica “alquímica” de que a cultura provém da cabeça do artista, que ela é criada do nada. Mas, na verdade, Homero remixou as histórias da mitologia grega, a Capela Sistina é uma colagem de temas bíblicos e as grandes obras literárias conscientemente “pegaram emprestados” os recursos de que precisavam.

Partindo da premissa de que, em todo processo criativo o artista constrói sobre a cultura existente. Precisamos respeitar a cultura. Conhecer e identificar as fontes do material que usou. A diferença entre remixagem e plágio é que o plágio oculta suas fontes enquanto a remixagem as celebra e as expõe.

A remixagem procura construir um diálogo com o passado em vez de reivindicar para si a autoria das obras. É um processo de colaboração com a cultura que nos cerca. Um dos problemas atuais é que as leis de direitos autorais inibem a cultura, restringindo o uso das obras aos seus proprietários.

Nessa transição pela qual passamos, jovens e empresas estão confusos sobre os limites dos dois conceitos. Numa época em que cada vez mais pessoas produzem mídia, fazem cultura, o uso justo precisa ser defendido.

O mundo convergente

Primeiro veio a integração dos mundos de dados e telefonia. Isso já é uma realidade universal. Na América Latina acelera-se a adoção de aplicações de negócios. As empresas estão usando a convergência não só para reduzir custos de comunicação, mas também para resolver necessidades de negócios, melhorar a produtividade, aumentar as vendas e redução de custos, é claro.

Entre nós isto já é uma realidade em indústrias como as de hotelaria, finanças e manufatura. Para citar um exemplo, hoje, ao entrar em alguns hotéis, já se pode ver um telefone IP. O hospede passa o seu cartão de fidelidade no aparelho e automaticamente pode selecionar opções de hospedagem: um quarto com vista para a praia, mais próximo aos elevadores, de fumante ou não-fumante. O mesmo cartão se transforma em chave de acesso do quarto e aos serviços.

Do quarto, um aparelho semelhante permite agendar passeios, fazer reservas no restaurante ou campo de golfe, receber informações sobre a cidade, o clima, transporte etc.. A convergência começa a fazer sentido nos negócios, seja para aumentar a produtividade, diversificar as vendas, ou, o que é mais importante, melhorar o relacionamento com o cliente.

O escritório convergente

Com o advento da mobilidade, o trabalho que antes era obrigatoriamente feito onde estava o escritório físico, pode ser realizado em qualquer outro ambiente. Milhões de pessoas já trabalham remotamente. Com as comunicações cada vez mais associadas à mobilidade, ampliam-se as aplicações de presença, de contexto e de informações de negócios para o mundo móvel, com colaboração, para que independente de onde você esteja possa colaborar de forma eficiente.

Diante desta realidade que traz o virtual para o mundo real, nós que compomos o ambiente corporativo, precisamos atentar para o que nos diz o filósofo alemão Arthur Schopenhauer: A tarefa não é tanto ver o que ninguém viu ainda, mas pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos vêem.

*Francílio Dourado Filho é Mestre em Admininstração de Empresas com foco em Gestão Estratégica e Gestão Social; Pós-graduado em Marketing com foco em Marketing de Esperiências e Marketing Social; e Graduado em Engenharia Civil. Desenvolve atividades de Consultoria Organizacional, é Professor universitário, Palestrante e Escritor.

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